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EditorFPS

Motas em trânsito · skgames

Traffic Rider: a autoestrada vista do guiador

Há um momento, mais ou menos ao décimo minuto de Traffic Rider, em que se percebe porque é que o jogo continua a ser jogado tantos anos depois do lançamento. É quando se passa entre dois camiões a alta velocidade, com a câmara colada ao guiador, e o motor sobe de tom no exato instante em que os retrovisores dos dois veículos passam a centímetros do ombro.

A skgames construiu tudo à volta desse instante. A primeira pessoa não é um extra opcional, é a razão de ser do jogo; o som foi gravado a partir de motas verdadeiras; e o trânsito está desenhado para criar corredores que se fecham e abrem em cima da hora. Nada disto é complicado, e é precisamente por isso que funciona.

A câmara muda tudo

Jogar em terceira pessoa é possível e é uma experiência inferior. Colada ao guiador, a câmara reduz o campo de visão e obriga a decidir mais cedo, o que transforma cada ultrapassagem num pequeno compromisso. O efeito de velocidade também melhora, porque as linhas da estrada passam mais perto do olho.

A perspetiva tem outro efeito prático: esconde a simplicidade dos cenários. Não há tempo para reparar que as árvores se repetem quando o essencial acontece a três metros de distância.

Captura do jogo Traffic Rider
Ecrã de Traffic Rider em utilização.

Veredicto em três linhas

A melhor tradução móvel da sensação de velocidade que encontrámos nesta seleção. A carreira é longa, o comando é imediato e o som faz metade do trabalho. Peca por um modelo de condução simples demais para quem procure simulação a sério.

Som gravado, e faz diferença

O trabalho de áudio é o argumento técnico mais forte. Cada mota tem um registo próprio, com rotações que sobem em degraus reconhecíveis, e é possível conduzir quase de ouvido — antecipando a mudança pelo tom em vez de olhar para o conta-rotações.

Recomenda-se jogar com auscultadores. Sem eles, o jogo perde uma parte substancial daquilo que o distingue dos concorrentes.

Noventa missões e uma progressão honesta

O modo carreira está organizado por objetivos concretos: percorrer uma distância acima de determinada velocidade, ultrapassar um número de veículos a poucos centímetros, chegar ao fim sem tocar em nada. São metas que ensinam a jogar melhor em vez de exigirem apenas repetição.

A dificuldade sobe de forma justa, e a passagem da noite para o dia altera a leitura da estrada o suficiente para que as missões noturnas pareçam realmente diferentes.

Onde o modelo mostra os limites

A física é arcade e assume-o. A mota não tem inclinação real em curva, a travagem é generosa e as quedas resolvem-se com um ecrã de fim de prova. Quem vier de simuladores vai achar tudo demasiado permissivo.

O trânsito também tem padrões previsíveis. Ao fim de algumas horas, começa-se a reconhecer as formações de veículos e a antecipação passa a ser memória em vez de reação.

Envelheceu bem?

Visualmente, é razoável e nada mais. O que envelheceu bem foi o desenho: comando imediato, sessões curtas, progressão clara e funcionamento sem ligação à Internet. É um jogo que continua a fazer sentido instalar hoje, sobretudo para quem viaja de transportes públicos.

Ecrã do jogo Traffic Rider para Android
Momento de jogo de Traffic Rider.
8,2

Nota editorial de EditorFPS numa escala até dez, atribuída depois de jogar. É uma opinião assinada e não tem relação com a classificação de 4,5 que o jogo tem na Google Play. O método está descrito aqui.

O que corre bem

  • Câmara em primeira pessoa que transforma cada ultrapassagem numa decisão
  • Áudio gravado de motas reais, com registos distintos
  • Carreira longa com objetivos que ensinam a jogar melhor
  • Funciona inteiramente sem ligação à Internet

O que corre mal

  • Física demasiado permissiva para quem procura simulação
  • Padrões de trânsito tornam-se previsíveis
  • Cenários pobres em detalhe fora da faixa de rodagem

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