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Hill Climb Racing 2
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Ler a análise de Hill Climb Racing 2Motas em trânsito · skgames
Há um momento, mais ou menos ao décimo minuto de Traffic Rider, em que se percebe porque é que o jogo continua a ser jogado tantos anos depois do lançamento. É quando se passa entre dois camiões a alta velocidade, com a câmara colada ao guiador, e o motor sobe de tom no exato instante em que os retrovisores dos dois veículos passam a centímetros do ombro.
A skgames construiu tudo à volta desse instante. A primeira pessoa não é um extra opcional, é a razão de ser do jogo; o som foi gravado a partir de motas verdadeiras; e o trânsito está desenhado para criar corredores que se fecham e abrem em cima da hora. Nada disto é complicado, e é precisamente por isso que funciona.
Jogar em terceira pessoa é possível e é uma experiência inferior. Colada ao guiador, a câmara reduz o campo de visão e obriga a decidir mais cedo, o que transforma cada ultrapassagem num pequeno compromisso. O efeito de velocidade também melhora, porque as linhas da estrada passam mais perto do olho.
A perspetiva tem outro efeito prático: esconde a simplicidade dos cenários. Não há tempo para reparar que as árvores se repetem quando o essencial acontece a três metros de distância.

A melhor tradução móvel da sensação de velocidade que encontrámos nesta seleção. A carreira é longa, o comando é imediato e o som faz metade do trabalho. Peca por um modelo de condução simples demais para quem procure simulação a sério.
O trabalho de áudio é o argumento técnico mais forte. Cada mota tem um registo próprio, com rotações que sobem em degraus reconhecíveis, e é possível conduzir quase de ouvido — antecipando a mudança pelo tom em vez de olhar para o conta-rotações.
Recomenda-se jogar com auscultadores. Sem eles, o jogo perde uma parte substancial daquilo que o distingue dos concorrentes.
O modo carreira está organizado por objetivos concretos: percorrer uma distância acima de determinada velocidade, ultrapassar um número de veículos a poucos centímetros, chegar ao fim sem tocar em nada. São metas que ensinam a jogar melhor em vez de exigirem apenas repetição.
A dificuldade sobe de forma justa, e a passagem da noite para o dia altera a leitura da estrada o suficiente para que as missões noturnas pareçam realmente diferentes.
A física é arcade e assume-o. A mota não tem inclinação real em curva, a travagem é generosa e as quedas resolvem-se com um ecrã de fim de prova. Quem vier de simuladores vai achar tudo demasiado permissivo.
O trânsito também tem padrões previsíveis. Ao fim de algumas horas, começa-se a reconhecer as formações de veículos e a antecipação passa a ser memória em vez de reação.
Visualmente, é razoável e nada mais. O que envelheceu bem foi o desenho: comando imediato, sessões curtas, progressão clara e funcionamento sem ligação à Internet. É um jogo que continua a fazer sentido instalar hoje, sobretudo para quem viaja de transportes públicos.

Nota editorial de EditorFPS numa escala até dez, atribuída depois de jogar. É uma opinião assinada e não tem relação com a classificação de 4,5 que o jogo tem na Google Play. O método está descrito aqui.
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