Como avaliamos os jogos
Uma metodologia honesta começa por dizer o que não é. Não há laboratório, não há painel de testadores e não há medições instrumentadas. Há uma pessoa, um telemóvel e horas de jogo.
Quanto tempo passamos com cada jogo
O mínimo é de três horas distribuídas por, pelo menos, três dias diferentes. A distribuição importa mais do que o total: muitos jogos móveis mudam de comportamento a partir do segundo dia, quando os temporizadores se alongam ou quando o conteúdo inicial se esgota, e uma sessão única de três horas não apanha isso.
Em jogos com progressão longa, o tempo sobe consideravelmente. Nos títulos com camadas de gestão ou coleção, procurámos chegar pelo menos ao ponto em que o ritmo abranda, porque é esse o momento que decide se um jogo fica instalado ou não.
Em que aparelhos
As sessões foram feitas em dois telemóveis Android: um recente, de gama média, e outro com quatro anos e memória limitada. Isso permite escrever com alguma segurança sobre desempenho, tempos de carregamento e aquecimento, que são fatores decisivos e quase sempre ignorados nas listas de recomendações.
Quando um jogo se comporta de maneira muito diferente nos dois aparelhos, a análise diz isso explicitamente.
O que olhamos, por esta ordem
Primeiro, os comandos: se respondem, se são consistentes e se permitem jogar com uma mão. Segundo, a legibilidade: se é possível perceber o que está a acontecer num ecrã pequeno, sem esforço. Terceiro, o ritmo: quanto tempo dura uma unidade completa de jogo e o que acontece quando se interrompe a meio.
Só depois entram o conteúdo, a variedade e a apresentação. Um jogo bonito com comandos maus é um jogo mau, e a ordem destes critérios reflete isso.
A nota até dez
Cada análise termina com uma nota editorial numa escala até dez, escrita com vírgula decimal como é hábito em português. É uma síntese de uma opinião, não o resultado de uma fórmula, e não deve ser lida como medida objetiva de qualidade.
Uma nota de sete significa um jogo que cumpre o que promete e tem limites claros. Um oito significa um jogo que faz alguma coisa melhor do que a concorrência direta. Acima disso, é preciso que o jogo resolva um problema que os outros não resolvem. Abaixo de seis e meio, há falhas que afetam o uso normal.
Porque é que a nossa nota não coincide com a classificação da loja
A classificação que aparece nas fichas dos jogos vem da Google Play e resulta de centenas de milhares de avaliações de pessoas com expectativas, aparelhos e hábitos muito diferentes. É uma informação útil e por isso reproduzimo-la tal e qual, sem arredondar.
A nota editorial responde a outra pergunta: quanto vale este jogo para quem o instala hoje, comparado com as alternativas diretas do mesmo género. São escalas diferentes a medir coisas diferentes, e por isso aparecem sempre separadas e identificadas.
O que não fazemos
Não pontuamos gráficos, som e jogabilidade em categorias separadas, porque essas divisões dão uma aparência de rigor que não corresponde ao processo real. Não publicamos opiniões de outras pessoas nem citações recolhidas de lojas ou de redes sociais. Não escrevemos sobre jogos que não instalámos.
E não escondemos os limites deste método: uma pessoa, dois telemóveis, tempo finito. É o que é, e é preferível dizê-lo a inventar uma estrutura que não existe.