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Traffic Rider
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Conduzir um camião é o contrário de tudo o que o telemóvel costuma pedir. Não há partidas de dois minutos nem reflexos: há uma estrada comprida, uma carga atrás e a obrigação de chegar com ela inteira. A Zuuks abraçou esse ritmo lento e acrescentou-lhe uma camada que a maioria dos concorrentes não tem — a gestão de uma frota.
Os camiões são licenciados e isso nota-se no cuidado dos modelos. A cabina tem instrumentos legíveis, o som do motor muda com a carga e as rotas atravessam países com paisagens distintas, o que dá alguma variedade a viagens que, por natureza, são repetitivas.

Convém dizê-lo sem rodeios: algumas rotas ocupam vinte minutos reais de condução. Há assistências para encurtar trajetos, mas usá-las tira ao jogo aquilo que ele tem de melhor, que é a monotonia bem filmada da autoestrada, com o dia a passar a noite e o trânsito a mudar de densidade.
A condução em si é confortável. O camião tem peso, a travagem exige antecipação e as ultrapassagens obrigam a olhar para os retrovisores. Não é um simulador rigoroso, mas está muito acima do arcade puro.
Por cima da estrada existe uma estrutura de gestão: contratar condutores, comprar mais camiões, escolher que cargas aceitar e em que países operar. As decisões são simples individualmente e ganham sentido em conjunto, porque uma frota mal distribuída deixa cargas por transportar.
É uma camada leve, longe da profundidade de um jogo de gestão dedicado, mas suficiente para dar continuidade entre sessões. Voltar ao jogo passa a ser voltar a uma operação em curso, e não apenas a mais uma viagem.
O jogo mais paciente desta secção e o único com uma verdadeira camada económica. Recompensa quem gosta de planear rotas e quem não se importa de conduzir vinte minutos em linha reta; frustra quem procurar ação.
A editora indica Android 7.0 e dois gigabytes de memória como mínimo, e a nossa experiência confirma que esse mínimo é mesmo mínimo. Em aparelhos nesse patamar, o jogo abre e corre em definições baixas, com carregamentos longos entre cidades e alguma perda de detalhe na paisagem.
Num telemóvel de gama média recente, a diferença é enorme: sombras dinâmicas, tráfego mais denso e reflexos na cabina. É um dos casos em que a qualidade da experiência depende bastante do aparelho.

O tráfego automático comporta-se de forma estranha em alguns cruzamentos, com veículos a travar sem razão aparente. As colisões são pouco convincentes e, em rotas longas, é possível encontrar troços de paisagem claramente repetidos.
Há também um desequilíbrio entre a atenção dada às cabinas e a dada aos armazéns: carregar e descarregar continua a ser um ecrã, quando podia ser uma manobra.
Nota editorial de EditorFPS numa escala até dez, atribuída depois de jogar. É uma opinião assinada e não tem relação com a classificação de 4,3 que o jogo tem na Google Play. O método está descrito aqui.
Cinco análises escolhidas por proximidade de género e de ritmo, e não por popularidade.

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