Saltar para o conteúdo
EditorFPS

Recuperação de casas · TURBOGOOSE GAMES

House Designer: Fix & Flip, ou a casa que se repara antes de decorar

Antes de escolher um sofá, é preciso arrancar o papel de parede rasgado, tapar um buraco no teto e passar a vassoura. House Designer inverte a ordem habitual do género e faz da limpeza a primeira metade da experiência — uma decisão que parece contraintuitiva e que acaba por ser a razão pela qual o jogo se distingue de dezenas de concorrentes.

O detalhe que amarra tudo é a perspetiva. Trabalha-se em primeira pessoa, a andar pelas divisões, com as ferramentas seguras à frente da câmara. Ver a diferença entre o antes e o depois de dentro da sala tem um peso emocional que uma vista de cima nunca consegue reproduzir.

A primeira hora é de limpeza

A casa inicial está num estado deplorável e é essa a graça. Há lixo por recolher, paredes por raspar, canos por substituir e uma quantidade generosa de superfícies por lavar. Cada uma destas ações tem um comando próprio e um som próprio, e o conjunto cria um ritmo de trabalho manual invulgar num telemóvel.

O jogo tem o cuidado de mostrar o progresso em percentagem por divisão, o que evita a sensação de esfregar paredes sem fim. Quando um espaço chega aos cem por cento, muda de aspeto de forma clara e desbloqueia a fase seguinte.

Captura do jogo House Designer : Fix & Flip
Imagem de House Designer : Fix & Flip divulgada por TURBOGOOSE GAMES.

Veredicto em três linhas

A melhor classificação da nossa lista de simulação tem uma razão simples: poucos jogos móveis dão esta sensação de trabalho concluído. É repetitivo em ciclo longo e tecnicamente irregular, mas o momento em que a casa fica pronta compensa quase tudo.

Depois vem o catálogo

A parte de decoração é mais convencional, mas generosa: mobiliário de sala, de quarto, de cozinha e de casa de banho, tintas, plantas, tapetes e iluminação. Ao contrário de muitos concorrentes, aqui os móveis colocam-se onde se quiser, com rotação livre, e isso permite resultados genuinamente pessoais.

A contrapartida é que o posicionamento com o dedo nem sempre é preciso. Encostar uma estante a uma parede exige por vezes três tentativas, e falta um comando de alinhamento que resolveria o problema num segundo.

O jardim é metade do jogo

A componente exterior é surpreendentemente completa: cortar relva, plantar canteiros, montar mobiliário de esplanada, tratar de árvores. O jardim tem regras próprias e a relva volta mesmo a crescer, o que dá às propriedades já concluídas uma razão para se voltar lá.

É também a zona onde o motor gráfico se sai melhor, com iluminação exterior bastante mais convincente do que a interior.

Rigor técnico e limites visíveis

Há sinais claros de um projeto que cresceu por camadas. Algumas texturas interiores são de gerações anteriores, as sombras dentro de casa são simples e ocasionalmente um objeto atravessa outro. Nada disto impede de jogar, mas é visível para quem repara.

Em compensação, o desempenho é sólido mesmo em aparelhos modestos, e o jogo funciona sem ligação à Internet — coisa cada vez mais rara neste género.

Onde se torna repetitivo

A partir da terceira ou quarta propriedade, a sequência é conhecida: limpar, reparar, pintar, mobilar, tratar do jardim. As casas mudam de planta e de dimensão, mas o guião é o mesmo, e quem jogar muitas horas seguidas vai sentir o desgaste antes de quem espaçar as sessões.

Ecrã do jogo House Designer : Fix & Flip para Android
Ambiente de House Designer : Fix & Flip tal como aparece na loja.
8,0

Nota editorial de EditorFPS numa escala até dez, atribuída depois de jogar. É uma opinião assinada e não tem relação com a classificação de 4,7 que o jogo tem na Google Play. O método está descrito aqui.

O que corre bem

  • A primeira pessoa dá peso real ao antes e depois
  • Posicionamento livre de mobiliário, com rotação
  • Jardim com regras próprias e razões para voltar
  • Funciona bem sem ligação e em aparelhos modestos

O que corre mal

  • Posicionamento com o dedo pouco preciso, sem alinhamento automático
  • Texturas interiores desiguais entre divisões
  • Ciclo de trabalho repete-se a partir da terceira casa

Se gostou desta, leia estas

Cinco análises escolhidas por proximidade de género e de ritmo, e não por popularidade.

Todas as análises de simulação

Imagem promocional do jogo My Perfect Hotel

Simulação · SayGames Ltd

My Perfect Hotel

Gestão hoteleira feita a correr: carregar malas, arrumar quartos e decidir quando é que já não se consegue fazer tudo sozinho.

  • Classificação na Google Play4,6
  • Sessão típica8 a 12 minutos
  • Nota editorial7,8
Ler a análise de My Perfect Hotel